Saiba como escolher uma boa oficina

A indicação se mantém como a principal referência na hora de procurar uma reparadora de veículos. Mas intuitos da industria automotiva criaram certificações que atestam a qualidade do serviço. Veja quais são os mais importantes.

A maneira como seu e seu avó faziam para encontrar uma oficina mecânica de confiança ainda está em pé. Ou seja, a indicação continua sendo o principal referencial na hora de escolher uma oficina reparadora de veículos.

Mas a boca-a-boca deixou de ser a única e primordial propaganda das oficinas. Institutos que representam o setor da industria automotiva do país criaram certificações que atestam a qualidade do serviço. Consertar o carro está deixando de ser uma tremenda dor-de-cabeça.
O setor de reparação de veículos passou por uma transformação nos últimos dez anos. Criado pela Anfavea, Sindipeças e outras entidades, o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) é um organismo de certificação de serviços. Ele credencia retifica de motores e centros de reparação. O IQA é um indicativo de qualidade de oficina, afirma o coordenador de marketing do instituto, Alexandre Xavier.
O número de oficinas certificadas ainda é pequeno. No Brasil, são 52 centros de reparação automotiva e 42 retificas de motores. A lista de empresas está disponível no site do IQA. “Por de trás do logotipo do IQA está a oficina que foi aprovada tanto no gerenciamento quanto na reparação e no atendimento ao cliente” diz Xavier.

Profissional Qualificado

Complementar ao selo do IQA é a certificação ASE Brasil, que qualifica o profissional. Mais abrangente, o ASE (também conhecido como Instituto Nacional para Excelência de Serviço Automotivo), já avaliou aproximadamente 47 mil profissionais em todo o país – sendo que 24 mil foram aprovados em nove anos de testes.

A oficina com pelo menos um profissional certificado tem o direito de usar o emblema ASE – o mecânico ostenta o logotipo na manga ou no bolso da roupa de trabalho. “ Tecnicamente, esse profissional está mais capacitado para realizar o serviço” reconhece o presidente da ASE, Geraldo Santo Mauro.

Porém, é importante lembrar que isso não significa que uma oficina sem respaldo dessas instituições seja pior que a certificada. Mas reparadoras de veículos e profissionais certificados passaram espontaneamente por avaliações.

Tanto é que, para o presidente da ASE, o consumidor não deve dispensara recomendação de parentes e amigos, além de ficar atento a aspectos como a aparência da oficina, a limpeza, os uniformes dos funcionários e a quantidade de equipamentos. A escolha do mecânico é a mesma que a de um médico. Deve existir uma relação de confiança, afirma Mauro. O consumidor também não pode se esquecer de comparar preços.

Funilaria nota A

Outro instituto que avalia a qualidade das oficinas é o Centro de Experimentação de Segurança Viária (Cesvi). O teste é aferido apenas em oficinas de funilaria e pintura. São mais de 350 reparadoras aprovadas no Brasil – 135 só no Estado de São Paulo. O site da entidade lista quais as oficinas receberam o certificado. A busca é bem simples. As oficinas estão divididas por Estado, cidade e bairros.
O diretor geral do Cesvi, José Aurélio Ramalho, diz que a avaliação foi criada por um pedido das seguradoras de carros, em 2000. O Cesvi desenvolveu uma metodologia própria. São mais de 200 itens verificados. Do atendimento ao cliente aos equipamentos. As oficinas recebem notas A, B ou C.
Ramalho conta que as funilarias precisam seguir um padrão de qualidade. Ele cita como exemplo o processo de lixamento do veículo. As oficinas certificadas pelo Cesvi usam apenas o método de soldas elétricas, que não danificam a chapa. O lixamento é a seco.

Fique de olho

• Certificações IQA / INMETRO, ASE Brasil e Cesvi Brasil.
• Filiação ao Sindirepa – SP (sindicato)
• Escolha uma oficina indicada por um parente ou amigo
• Preste atenção no local, na limpeza e se os funcionários estão uniformizados.
• Procure saber a quanto tempo a oficina está no local.
• Peça um check-list de entrada e saída.

Mais Informações

• IQA: tel: 5533-4545 ou www.iqa.org.br
• Ase Brasil: tel: 5589-7722 ou www.asebrasil.org.br
• Cesvi Brasil: tel: 3941-0699 ou www.cesvibrasil.com.br
• Sindirepa – SP: tel: 0800-554477 ou www.sindirepa-sp.org.br

Tecnologia exige reparo cuidadoso

Ir a uma ou mais oficinas mecânicas duas, três vezes seguintes irrita qualquer pessoa. Ás vezes, perde-se tempo e gasta-se dinheiro á toa. O engenheiro mecânico e proprietário da Motor Max, Rubens Venosa, afirma que é comum receber clientes insatisfeitos.
Peço paciência a eles. Existem clientes que já gastaram mais de R$ 3 mil em outras oficinas e o carro continua com defeito, diz Venosa. Segundo ele, geralmente, são problemas relacionados á parte eletrônica.
Valter Nishimoto, proprietário da Frison, afirma que a tecnologia embarcada, cada vez mais presente nos carros modernos, exige mais dos mecânicos. Temos sistemas de controle de tração, freios ABS, ar - condicionado inteligente, etc. É fácil cometer um erro de diagnóstico.
Para o preparador de motores Vinícius Losacco não basta solucionar o problema pontual do veículo. Deve-se, na opinião dele, descobrir a origem do defeito. Caso contrario, o carro deve volta para oficina. Losacco conta o exemplo de um Volkswagen Golf Turbo, cujo proprietário o levou a duas oficinas particulares e quatro autorizadas. Nenhuma delas consertou o veículo, que estava perdendo potência por causa de uma borra interna no motor.

Fonte: Jornal do Carro